Por Que Comecei a Escrever? Por Juliana Hoffmann Liska

Por Que Comecei a Escrever?

Por Juliana Hoffmann Liska

Comecei a escrever porque queria me desvendar.

Durante muito tempo, carreguei dentro de mim perguntas que não encontravam respostas. Havia sentimentos que eu não conseguia explicar, memórias que me visitavam sem aviso e silêncios que pareciam falar mais alto do que qualquer palavra dita. Foi então que encontrei a escrita.

No início, eu não escrevia para ser lida. Escrevia para sobreviver aos meus próprios pensamentos. Cada frase era uma tentativa de compreender quem eu era. Cada poema era uma porta aberta para um lugar desconhecido dentro de mim mesma.

Descobri que a escrita não me dava respostas prontas. Ela me ensinava a fazer perguntas melhores. Quando escrevo, converso com minhas sombras, abraço minhas fragilidades e encontro partes de mim que permaneceriam escondidas se eu nunca tivesse colocado uma caneta sobre o papel.

Escrever tornou-se uma forma de arqueologia da alma. Escavo lembranças, sentimentos, sonhos e cicatrizes. Algumas descobertas são belas. Outras doem. Mas todas são verdadeiras.

Muitas pessoas escrevem para contar histórias. Eu comecei escrevendo para encontrar a minha própria.

A cada texto publicado, percebo que não sou a única buscando compreender a existência. Há outras almas caminhando pelos mesmos corredores da saudade, do amor, da perda e da esperança. E é nesse encontro silencioso entre escritor e leitor que a mágica acontece.

Hoje entendo que escrever nunca foi apenas um hobby ou um projeto. Tornou-se um modo de existir no mundo. Uma maneira de transformar emoções em pontes e pensamentos em permanência.

Comecei a escrever porque queria me desvendar.

Continuo escrevendo porque descobri que somos infinitos, e nenhuma vida é suficiente para conhecer completamente a si mesma.

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