Perguntas Que Gostaria Que Me Fizessem em Uma Entrevista Por Juliana Hoffmann Liska

 

Perguntas Que Gostaria Que Me Fizessem em Uma Entrevista

Por Juliana Hoffmann Liska

Quando as pessoas entrevistam uma escritora, costumam perguntar sobre livros, inspirações, projetos e sonhos. São perguntas importantes, mas nem sempre são as perguntas que realmente contam uma história.

Se eu pudesse escolher, gostaria que me perguntassem o que me fez forte.

Não para que eu falasse sobre vitórias, mas sobre os momentos em que pensei que não conseguiria continuar. Sobre as vezes em que a vida exigiu mais coragem do que eu acreditava possuir.

Gostaria que me perguntassem quais medos sempre caminharam ao meu lado.

Porque eles existiram.

O medo do fracasso.

O medo da perda.

O medo de não ser compreendida.

O medo de recomeçar.

Mas também gostaria de dizer que nenhum deles conseguiu me limitar. Eles vieram comigo durante a caminhada, mas nunca decidiram a direção dos meus passos.

Gostaria que me perguntassem sobre as minhas lágrimas.

Não para despertar pena.

Mas porque cada lágrima carregou uma história.

Existem lágrimas de saudade.

Lágrimas de despedida.

Lágrimas de esperança.

Lágrimas derramadas em silêncio, quando ninguém estava olhando.

Elas também ajudaram a construir quem sou.

E talvez a pergunta que eu mais gostaria de ouvir fosse:

— Como você conseguiu voltar tantas vezes?

Porque essa é a parte da história que quase ninguém vê.

As pessoas costumam notar quando alguém chega.

Raramente observam quantas vezes essa pessoa precisou se levantar antes.

Eu gostaria de contar sobre cada retorno.

Sobre cada página recomeçada.

Cada sonho reconstruído.

Cada vez que recolhi os pedaços de mim mesma e continuei.

Porque a minha história não é feita apenas de conquistas.

Ela é feita de retornos.

De quedas que não tiveram a última palavra.

De cicatrizes que se transformaram em aprendizado.

Talvez essas sejam as perguntas que eu gostaria que me fizessem.

Não porque as respostas sejam fáceis.

Mas porque são elas que revelam quem realmente sou.

Não apenas a escritora.

Mas a mulher que continuou caminhando, mesmo quando o caminho parecia desaparecer diante dos seus olhos.

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