Os Medos Que Ninguém Vê em Uma Escritora Por Juliana Hoffmann Liska

 Aqui está um texto em tom íntimo e reflexivo, como se fosse escrito por você:

Os Medos Que Ninguém Vê em Uma Escritora

Por Juliana Hoffmann Liska

Existe uma ideia romântica sobre ser escritora.

As pessoas imaginam alguém cercada por livros, palavras e inspiração. Imaginam cafés silenciosos, cadernos antigos e poemas surgindo naturalmente. O que poucos enxergam são os medos escondidos entre as linhas.

Ninguém vê o quanto o luto dói.

O luto não é apenas perder alguém. É também perder versões de nós mesmas. Perder sonhos. Perder momentos que nunca voltarão. Perder futuros que imaginávamos viver.

Uma escritora aprende a conviver com ausências.

Algumas se transformam em personagens. Outras em poemas. Outras permanecem como feridas silenciosas que ninguém consegue enxergar.

Há dias em que escrevo porque sinto saudade.

Há dias em que escrevo porque não sei o que fazer com a dor.

As palavras se tornam abrigo para aquilo que não consigo dizer em voz alta.

Talvez esse seja um dos maiores medos de uma escritora: perceber que certas perdas nunca desaparecem completamente. Elas apenas mudam de lugar dentro de nós.

Também existe o medo de não ser compreendida.

De abrir o coração em uma página e encontrar silêncio do outro lado.

De escrever sobre sentimentos profundos em um mundo cada vez mais apressado.

Mas, acima de todos esses medos, existe aquele que quase ninguém conhece.

O medo de esquecer.

Esquecermos um rosto amado.

Uma voz.

Um perfume.

Uma memória.

Por isso escrevemos.

Porque a escrita é uma forma de permanência.

Quando transformamos uma lembrança em palavras, ela deixa de pertencer apenas ao passado. Ela passa a existir em outro lugar. Um lugar onde o tempo não consegue apagar completamente.

Talvez seja por isso que tantos escritores falam sobre saudade, amor e perda.

Não porque gostem da tristeza.

Mas porque sabem que algumas dores merecem ser lembradas.

E, no fundo, cada texto escrito é uma tentativa delicada de conversar com aquilo que já partiu, mas continua vivendo dentro de nós.

O luto dói.

Mas a escrita nos ensina que até a dor pode florescer em algo belo quando encontra um papel em branco.

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