O Que Faço Quando Quero Desistir de Escrever? Por Juliana Hoffmann Liska
O Que Faço Quando Quero Desistir de Escrever?
Por Juliana Hoffmann Liska
Existem dias em que as palavras não chegam.
Dias em que olho para a tela em branco e sinto que perdi a capacidade de transformar sentimentos em frases. Nesses momentos, penso em desistir. Não apenas de um texto específico, mas da própria escrita.
É então que começo a desenhar rosas.
Não sei exatamente por quê.
Talvez porque as rosas entendam o que as palavras nem sempre conseguem explicar. Talvez porque existam emoções que florescem melhor em traços do que em parágrafos.
Enquanto desenho suas pétalas, algo dentro de mim desacelera.
Não estou mais preocupada com leitores, visualizações ou com a necessidade de criar algo perfeito. Estou apenas observando uma flor nascer sobre o papel.
Uma pétala.
Depois outra.
E mais uma.
Assim como um poema.
As rosas me lembram que a beleza não surge pronta. Ela é construída lentamente, camada por camada, detalhe por detalhe.
Quando quero desistir de escrever, não tento forçar a inspiração.
Eu permito que ela encontre outro caminho.
Às vezes ela chega através de uma música antiga.
Às vezes através da chuva na janela.
E muitas vezes através das rosas que desenho sem pensar.
Talvez porque elas carreguem algo que sempre procuro nos meus textos: delicadeza e resistência ao mesmo tempo.
As rosas possuem espinhos, mas continuam florescendo.
Talvez os escritores também sejam assim.
Carregamos nossas tristezas, nossos lutos, nossas dúvidas e nossos medos. Mesmo assim, continuamos criando.
Quando termino um desenho, percebo que a vontade de escrever costuma voltar devagar.
Como uma visitante antiga que apenas precisava de um pouco de silêncio para retornar.
Então pego novamente a caneta.
E descubro que eu nunca queria desistir da escrita.
Eu só precisava respirar entre uma rosa e outra.
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