Como Transformo Tristeza em Poesia Por Juliana Hoffmann Liska

 

Como Transformo Tristeza em Poesia

Por Juliana Hoffmann Liska

Não transformo tristeza em poesia imediatamente.

Primeiro, eu respiro.

Existem dores que chegam fazendo barulho e outras que chegam em silêncio. Aprendi que nem sempre preciso lutar contra elas. Às vezes, basta sentar ao lado delas por alguns instantes e escutar o que têm a dizer.

Então faço um café.

O ritual é simples. O aroma quente preenchendo o ambiente, o vapor subindo lentamente da xícara, o mundo diminuindo de velocidade por alguns minutos. É como se o tempo abrisse espaço para que eu pudesse ouvir minha própria alma.

E é nesse silêncio que começo a escrever.

Não escrevo o que aconteceu.

Escrevo o que ficou.

Escrevo aquilo que grita calado.

As palavras que nunca foram ditas.

As despedidas que permaneceram abertas.

As saudades que aprenderam a morar dentro do peito.

A tristeza, para mim, não é apenas dor. Ela é matéria-prima. É uma emoção profunda que revela partes de nós que a felicidade nem sempre consegue alcançar.

Quando escrevo, não procuro fugir do sentimento.

Procuro compreendê-lo.

Transformo lágrimas em metáforas.

Ausências em versos.

Memórias em páginas.

Pouco a pouco, aquilo que parecia apenas sofrimento ganha forma. Torna-se poema.

E algo curioso acontece.

A tristeza continua existindo, mas deixa de ser um peso impossível de carregar. Ela se transforma em arte. Em beleza. Em algo capaz de tocar outras pessoas que talvez estejam sentindo o mesmo.

Talvez seja por isso que escrevo.

Porque existem sentimentos grandes demais para permanecerem presos dentro de nós.

Então eu respiro.

Faço um café.

Abro uma página em branco.

E deixo que o coração escreva aquilo que a voz não consegue dizer.

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