Como Nasce um Poema Meu? Por Juliana Hoffmann Liska

Como Nasce um Poema Meu?

Por Juliana Hoffmann Liska

Muitas pessoas imaginam que um poema nasce de uma inspiração repentina, como um raio de luz atravessando uma janela. Comigo, quase nunca é assim.

Meus poemas costumam nascer da tristeza.

Não daquela tristeza desesperadora, mas daquelas melancolias silenciosas que chegam sem avisar e se sentam ao meu lado. São momentos em que o mundo parece distante e minha alma começa a vagar por lugares que talvez nunca tenham existido, mas que sinto como se fossem lembranças.

Às vezes me pego pensando em amores de outros séculos.

Imagino cartas escritas à luz de velas, flores secas guardadas entre páginas de livros antigos, promessas feitas em estações de trem envoltas pela neblina. Penso em pessoas que se amaram intensamente sem nunca terem conhecido a velocidade do nosso tempo. Amores que esperavam meses por uma resposta. Amores que sobreviviam apenas na esperança.

É nesse lugar que meus poemas começam a respirar.

Uma imagem aparece. Uma janela antiga. Um vestido esquecido. Uma carta amarelada pelo tempo. Então as palavras começam a surgir como fantasmas gentis pedindo para serem ouvidos.

Escrever, para mim, é atravessar séculos sem sair do lugar.

Enquanto escrevo, deixo de ser apenas uma mulher do presente. Torno-me observadora de memórias que talvez pertençam a outras vidas, outros tempos ou apenas à minha imaginação. Não importa. O sentimento é real.

Cada poema é uma tentativa de tocar algo que não posso alcançar com as mãos. Uma saudade sem nome. Um amor sem rosto. Uma lembrança que talvez nunca tenha acontecido.

Por isso meus versos carregam neblinas, relógios antigos, cartas perdidas, jardins esquecidos e almas que continuam procurando umas às outras através do tempo.

Meus poemas não nascem da certeza.

Nascem da ausência.

Nascem da saudade.

Nascem do desejo de encontrar, nas palavras, aquilo que o coração ainda procura.

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